quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ideia de look


Basicamente o que se fez nesse look foi adicionar um cardigan azul a um look bem simples de trabalho que tem peças clássicas que todo mundo já viu: camisa branca, gravata vermelha e calça preta/grafitte. A harmonia das cores é muito boa, pois o azul dialoga muito bem com o vermelho da gravata e o branco e o preto fazem uma base solida.

Nesse post eu decidi brincar pegando os estilos que eu estou mostrando e criando looks semelhantes com minhas próprias ideias, mas sem perder a fidelidade aos exemplos. Eu vou criar os looks usando o limitado Polyvore, então nem sempre dá para reproduzir perfeitamente.



Camisa branca: Peça básica do look, pode ser qualquer uma, desde que seja 100% de algodão e tenha uma aparência razoavél.

Calça Preta: Eu escolhi um modelo que é chino, mas também é mais formal para combinar com a ideia de look de trabalho, escolha qualquer uma com bom caimento e feita de algodão de preferência com elastano.

Chelsea Boot: Foi uma ideia divertida minha, pois o look do Edward não mostra qual calçado ele está usando, de modo que ele deixou livre para nós imaginarmos. A Chelsea Boot é uma bota formal e esse modelo tem o charme da camurça, além de sua cor manter atenção para a parte de cima. Outras opções seria um bonito oxford cap toe preto.

Cardigan sem mangas roxo: Para a primeira opção, eu optei por um modelo sem mangas que na verdade deveria ser chamado de colete, a ideia é evocar aquela lembrança elegante de um homem sem blazer, mas que mantém o colete enraizada no imaginário popular. Esse roxo que está em um tom bem próximo do azul marinho combina com vários tons, Minha combinação favorita é com a gravata paisley, mas uma longa ou borboleta vermelha também combina super bem

Cardigan estampado: É incrível como uma peça com tantas estampas consegue ter uma harmonia tão interessante quando esse cardigan. Acrescentando bastante informação de moda por si só, eu acho que deve ser complementado por uma gravata lisa, como a borboleta vermelha que combinaria muito bem.

Gravata borboleta: Essa ideia não foi utilizada pelo Edward, mas super dá certo e traz um charme diferente que acho muito interessante. Esse modelo que traz uma mistura entre o crochê e a seda é genial e se encaixa muito bem na combinação com uma peça de tricô.

Gravata longa: Essa gravata lindissima poderia inclusive roubar o protagonismo do cardigan, mas não haveria problemas, pois a elegância estaria mantida. Eu percebo que com ela o look ia caminha para tons muito próximos do azul, uma boa ideia para adicionar mais variedade é quebrar o tom com acessórios com tons de marrom (relógios, cintos ou um sapato de camurça marrom)

domingo, 2 de outubro de 2016

Entrevista sobre Maria Callas (treinando a auto-entrevista)


Arthur: Antes de tudo eu queria que você me contasse mais sobre quem foi essa pessoa.

Rubens: Maria Callas foi uma soprano grega muito famosa no período pós-guerra, tendo seu auge na decada de 50 cantando com grande sucesso uma série de óperas italianas de autores como: Verdi, Donizetti, Rossini,  Bellini e até Puccini. Ela é considerado por muitos especialistas a melhor soprano da história e a cantora de referência em várias óperas.

Arthur: Quais foram as grandes contribuições de Maria Callas ao mundo da ópera?

Rubens: Ela trouxe inúmeras contribuições ao mundo da ópera, vou tentar enumerar algumas que me lembro agora. Ela popularizou as gravações de ópera que apesar de já existirem na época, o fascínio pelo seu canto aqueceu esse mercado fazendo com que cada vez mais óperas fossem gravadas e guardadas para a posteridade. Sua persona que encarna tudo aquilo que imaginamos em uma "Diva" atraiu muitas as pessoas para os teatros e ao mercado de ópera, fazendo com que esse gênero permanecesse muito popular em uma período de natural decadência do estilo devido ao surgimento de outros gêneros que tinham mais apelo com a juventude.

Maria Callas ressuscitou o repertório belcantista que estava esquecido ou mal interpretado pelas cantoras da época. Isso acontecia, pois aquele repertório era de grande dificuldade pelo alto nível de coloratura das personagens e também por exigirem que a soprano emprestasse uma grande carga dramática naqueles papéis. Os poucos papeis belcantistas que existiam eram cantados pelo que chamamos de "sopranos canarinhos" como a Lily Pons e Roberta Peters, que apesar de excelentes cantoras faziam interpretações muito superficiais e excessivamente "agudas" das personagens.


Obs: Essa ária é muito bem executada pela Lily Pons, especialmente a nível de coloratura, mas representa uma Rosina um tanto desalmada, apenas superficialmente apaixonada. O canto é um grande destaque, mas com a evolução do papel se exige mais dramaticamente da cantora e a voz da Lily é muito magra e aguda para o papel pensado para mezzosopranos originalmente


A interpretação da Maria Callas por outro lado, se preocupa especialmente com a entonação de cada frase de Rosina, animando elas com um paleta diversa de emoções que variam da euforia até a delicadeza apaixonada comum a personagem. Há ao mesmo tempo há um cuidado muito grande com a coloratura da personagem, muito bem executada por Maria Callas em 1954 no auge de suas capacidades.

Essa profundidade dramática que Maria Callas adiciona nas personagens proporcionou uma grande revolução na forma de cantar esses papeis e permitiu a ressurreição de óperas esquecidas como: Anna Bolena, La Sonambulla, Il Puritani, Lucia Di Lammermoor (raramente executada) e em especial a Norma.

Arthur: Grandes contribuições! E quais você acha que foram os papeis em que ela mais se destacou e o porquê?

Rubens: Maria Callas se destacou em uma grande porção de papéis, mas vou tentar me atentar a seus maiores sucessos.

Lucia de Lucia Di Lammermoor de Donizetti, ela tem 3 gravações oficiais do papel e cada uma se destaca pela leitura psicológica que Callas faz da cena da loucura, dando profundidade a insanidade vivida pela Lucia, um dos momentos mais mágicos do estilo. Minha gravação favorita é a de 1955 onde por ser ao vivo podemos ouvir a ovação que ela ganha após o fim da cena.

Floria Tosca de Tosca de Puccini, sendo que a gravação de 1953 sob a batuta de Victor de Sabata é uma das melhores da história da ópera. Destaque para o conflito entre Callas e Gobbi no segundo ato da ópera. A interpretação da ária Vissi D'Arte contida nessa gravação é uma das coisa mais lindas que pode ser escutada dentro da ópera.


Essa interpretação é um culto a arte e a toda beleza que dela pode provir. Basicamente nesse momento Floria Tosca destaca que ela por proporcionar tantas benções através da arte que é uma extensão da sua própria existência não deveria estar sofrendo o peso das tribulações que enfrenta no momento. Callas acrescenta em sua interpretação: melancolia, desespero e um encanto quase religioso. A pontuação das palavras é de revirar a alma, o legatto no momento clímax da ária é o mais tocante de todas as gravações da ópera

Norma é o papel pelo qual ela mais se destacou e acho que chega a dispensar comentários, ela não tem nenhuma rival no papel. Outros papeis de grande brilho são: Violetta (La Traviata), Gilda (Rigoletto), Gioconda (La Gioconda), Rosina (Il Barbiere Di Siviglia), Anna Bolena (Anna Bolena), Amina (La Sonnambula), Elvira (Il Puritani), Medea (Medea), Leonora (Il Trovatore), Lady Macbeth (Macbeth)....

Arthur: O que você tem a dizer sobre a rivalidade dela com a soprano italiana Renata Tebaldi.

Rubens: Essa rivalidade é uma grande bobagem e nasceu aqui no Brasil, sabia? Elas visitaram o Brasil em datas parecidas e o público daqui tentou colocar uma contra a outra criando essa rivalidade descabida.

O repertório delas é diferente também, Tebaldi é especialista no repertório pucciniano, Verdi lírico e verismo, enquanto o repertório da Callas era mais focado em óperas belcantista italianas que exigiam coloratura. Elas tinham alguns papeis em comum como Aida, La Traviata e Tosca, mas acho que isso seja muito pouco para compara-las.

Faz mais sentido rivalizar a Callas com a Sutherland do que com a Tebaldi.

Arthur: Você mencionou várias características que tornam a Maria Callas umas das cantoras mais singulares da história da ópera, teria algo a acrescentar?

Rubens: Mais coisas? (risos). Eu acho que existe algo mágico na forma de cantar da Maria Callas, pois ela em comparação com outras grandes sopranos não possui o melhor e mais doce timbre de voz e nem uma técnica perfeita como a das cantoras que vieram a sucede-la. Mas ela tem a alma na voz, um pahtos, uma energia incrível na hora de animar suas protagonistas que encanta muito o ouvinte, uma beleza singular jamais vista e igualada.

Arthur: Indique uma gravação a quem nunca a ouviu

Rubens: Sem sombra de dúvidas vou indicar a Tosca gravada em 1953 que tem completa no Spotify, também é legal começar pela La Traviata de 1958 cantada em Portugal na companhia de Alfredo Kraus. De coletânea de árias acho que uma boa indicação nesse universo de coletâneas da Callas é o Pure que contêm 18 músicas.

Arthur: Muito obrigado pela entrevista

Rubens: Foi um prazer.