sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nau Frutos do Mar - Análise


Dando inicio ao Restaurant Week eu e o meu boy lindo fomos ao famoso Restaurante Nau aqui em Brasília. O Nau é considerado um dos restaurantes mais refinados de Brasília e está em 14º na lista dos melhores do DF pelo Tripadvisor e seu cardápio é conhecido por oferecer uma rica e farta variedade de frutos do mar, tendo o camarão como sua estrela principal.

O Cardápio do Restaurant Week que o Nau assinou é um dos que mais chama atenção, visto que a casa tinha duas excelentes aberturas que revelavam a forte inclinação nordestina da casa, como prato principal eles entregavam o carro-chefe da casa, além de uma interessante opção de filé de peixe e na sobremesa eles também colocaram a assinatura da casa, pena que na versão petit.

Eu e o Gustavo gostamos tanto de todos os pratos que vimos no menu que decidimos dividir a entrada em dois e cada um provar a metade. No prato principal eu peguei um terço do filé dele e eu dei um terço do meu camarão para ele. Tudo está registrado em fotos

Então vamos ver como foi a degustação desse menu dos sonhos:

Versão completa

Meio a meio.
Eu pedi de entrada o Escondidinho de Carne Seca que continha Creme de Macaxeira e Queijo Coalho Gratinado. Eu adoro aquela textura de queijo derretido típica desse prato e a execução deste era perfeita, o creme delicioso e era possível sentir o sabor de cada ingrediente perfeitamente.

O Gustavo pediu o Creme de Macaxeira com Queijo Coalho e Carne de Caranguejo Desfiada, percebam que há pouca diferença na descrição dos pratos porque eles tem ingredientes parecidos, mudando apenas a carne seca que aparece em um e o caranguejo desfiado presente na outra entrada. Mas não se engane, o sabor dessa outra entrada remete ao tempero nordestino praiano, sabe aqueles deliciosos frutos do mar que você come na praia? Sim, é isso que você vai sentir comendo essa entrada, o tempero é bem poderoso, mas deixa um sabor incrível na boca.

O meu favorito foi o Escondidinho de Carne Seca, por pura preferência gastronômica porque as duas estavam perfeitas.



Meu prato depois de pegar 1/3 do dele

Antes de falar sobre o prato principal, vamos falar desse suco maravilhoso de uva roxinho que você está vendo na última foto. Ele custa 6,90 e é maravilhoso, o sabor natural e adocicado da uva na boca se revela como um perfume aromático delicioso, o gosto é um doce maravilhoso e não enjoativo, queria poder tomar esse suco todos os dias da minha vida.

Enfim, o Filé de Peixe com Crosta de Gergelim feito na chapa é bem saboroso, crocante por fora e bem macio por dentro e me fez perder um trauma que eu tenho por peixes com espinha que eu adquiri nas praias de tanto comer filés com espinhas. Esse vinha limpinho sem nenhuma espinha. Como o Gu me alertou, esse prato faz mais sentido se você comer todos os ingredientes juntos, pois eles tem uma grande sinergia.  Os acompanhamentos são deliciosos, amei o arroz com brócolis, a batata canoa era crocante e salgada na medida certa e aquela castanha dava o toque final.

O Camarão Nau carro-chefe da casa é um prato maravilhoso, com um aroma e sabor amanteigado, o arroz no fundo do prato é cremoso e leve e ainda tem aquela textura linda de quiejo quando você puxa. O camarão é um milagre na terra, macio, suculento, parece que algo abraça carinhosamente sua língua.

Que refeição! O meu favorito foi o Camarão Nau, pois fazia tempo que não comia um camarão tão gostoso.


De sobremesa eu provei a assinatura da casa, "Sobremesa Nau", que consiste em um sorvete de creme artesanal com castanhas e  fundo de mousse de chocolate. É uma sobremesa com gradação de sabores começando suave e crocante, aos poucos a parte de cima mais leve se mistura com o doce do mousse da parte inferior do copo (essa é a melhor parte da sobremesa), por fim sobra mais umas 3 colheradas de um mousse bem doce de chocolate.

Obs: O detalhe do copo parece canela, mas na verdade é madeira e não pode ser consumido. A menta você pode consumir.

Foi uma maravilhosa refeição, irrepreensívell do começo ao fim, menu simples com vários clássicos da casa, mas eficiente, especialmente pelo motivo de que os produtos oferecidos pela casa tradicionalmente são de excelente qualidade.

O atendimento foi perfeito, sem nenhuma especie de esnobismo por parte dos garçons, apesar do ambiente ser totalmente "fancy" com direito a pessoas falando inglês na mesa ao lado. Os pratos chegaram rápido e tudo na ordem que pedimos, todos foram muito simpáticos e o ambiente da casa é muito bonito com um dos melhores projetos arquitetônicos para restaurantes de Brasília

Pontos Positivos

- Comida deliciosa e farta
- Vista e ambientes maravilhosos
- Ingredientes de excelente qualidade
- Atendimento cordial
- Excelente Restaurant Week

Pontos Negativos

- Muito caro (tem que dividir a conta em dias normais)
- Ambiente meio "fancy" que vai deixar as pessoas não acostumadas com isso um pouco tímidas.

Nota: ***** 5 estrelas
Recomendo e voltaria, bem só no próximo RW porque haja dinheiro!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Cantucci Bistrô (Mini-Análise)


Eu infelizmente não posso prometer uma análise perfeita sobre esse bistrô porque no dia eu estava gripado, com febre e de gargante inflamada, não muito, mas estava. Então permita-me uma breve observação sobre o que eu provei no dia


Esse prato é o Filé Três Mostardas que custa 43 reais e vem acompanhado de batatas gratinadas. Olha mesmo gripado é impossível não perceber a qualidade desse prato: o filé estava suculento, macio e no ponto perfeito, esse molho é maravilhoso, muito bem equilibrado bem suave e o gosto levemente salgado e azedinho era uma maravilha. Essas batatas gratinadas eram bem macias e saborosas, se o prato viesse só com elas já seria ótimo de tão boas que elas são.

O suco de abacaxi com hortelã vinha sem açúcar, deixando para o cliente a opção de adoçar ou não, eu até adocei, mas a gripe não me deixou sentir gosto quase que nenhum, pelo menos a hortelã refrescou um pouco a minha garganta. O copo era 5 reais, mas a jarra era 10 reais.


Infelizmente eu não me lembro do nome exato dessa sobremesa, mas acho que era Mil-Folhas de Morango com Bavaroise de Chocolate Branco que custa 15 reais. Enfim deixa eu explicar esse prato: a bavaroise é aquela coisa branca que está dentro daquele recipiente de chocolate negro, o vermelho que você está vendo junto a bavaroise é uma calda de frutas vermelhas.

Eu demorei um pouco a aprender como comer essa sobremesa então vou descrever as etapas:

1- Eu comecei pela mil-folhas que tinha uma massa bem levinha e crocante e tinha um gosto doce bem leve, pendendo mais para o azedinho do morango. Eu sei que não da para ver muito bem, mas tem açúcar no prato e se você misturar ela com a mil-folhas fica melhor o sabor.
2- Eu arranquei um pedaço daquela bacia de chocolate negro e provei ele sozinho a principio e achei uma delicia. Era um chocolate de alta qualidade, misturar ele com as mil-folhas deu muito certo
3- Eu provei a bavaroise com a calda de frutas vermelhas e achei interessante a mistura, comer ela junto com as mil-folhas fazia ainda mais sentido
4- Eu quebrei o prato todo e decidi comer tudo junto e ai eu entendi a estrutura do prato onde cada item complementava o outro perfeitamente: Tinha o docinho azedinho do morango complementado pelo doce mais acentuado da calda de frutas vermelhas, no meio da composição tinha a bavaroise acrescentando um sabor peculiar a mistura e trazendo um sabor mais intenso e escuro tinha os pedaços de chocolate negro.

Uma sobremesa bem equilibrada e interessante. Valeu a experiência.


Nota: 5 estrelas *****
Recomendo e irei voltar sim, porque preciso fazer uma análise sem estar gripado.
Site: http://cantucci.com.br/

Delicias do Le Vin


Hoje não vai ser uma análise usual de restaurante que eu costumo fazer nesse espaço onde eu analise entrada-prato principal-sobremesa e sim um relato de algumas coisas que comi em momentos distintos nesse bistrô especializado em comida francesa.


O primeiro prato que eu comi nesse restaurante foram esse ovos nevados bem bonitos que vocês podem ver na foto (com marquinha de colher, kkkk), Ele custa 18 reais, mas vem bem servido e satisfaz. Vou confessar que eu nunca tinha comido esse prato antes. Os ovos tem uma textura bem macia e leve gosto de caramelo, mas o que dá sabor mesmo a esse prato é o poderoso creme inglês que banha essa sobremesa.

É uma sobremesa muito boa e bem equilibrada, até a menta dá um gostinho interessante ao prato, mas o problema é que esse não é o tipo de sobremesa que eu gosto, então apesar da execução perfeita, talvez eu nunca mais coma outra. Eu indico bastante para quem gosta de pudim.


O meu segundo prato foi a carpacio de filé mignon com lascas de queijo parmesão e que era servida com essas torradinhas crocantes e levinhas. A carpacio era delicadamente temperada e muito saborosa, o queijo parmesão adicionava a composição um sabor mais salgado bem interessante. Comer tudo junto é super divertido, acho que foi um dos pratos que eu mais gostei e me divertir comendo a tempos.

Obs: Essa erva verde que fica no centro é muito gostosa



A brandade de bacalhau é uma entrada deliciosa e leve, o bacalhau é muito bem temperado e tem um gosto suave e textura macia. Esse tomate à provençal foi o melhor tomate que eu comi na minha vida (eu odeio tomate), o tempero é delicioso, gosto natural da fruta é preservado e ele é levemente salgado, a melhor parte no entanto é esse recheio na parte superior do tomate. A única reclamação é que essa brandade podia ser um pouco maior né?



Infelizmente eu não tirei uma foto do carré suíno a milanesa, mas ele é uma delicia, bem crocante e saboroso. Ele vem acompanhado de muita salada de rúcula (que eu odeio) que ficou na média para mim o que me fez deixar quase toda ela no prato, além disso eu provei de novo as lascas de queijo parmesão que eu havia gostado antes e uma excelente batata-frita que foi uma das melhores que já provei. Da próxima vez menos salada de rúcula.


Essa sobremesa foi uma das melhores coisas que eu já comi na vida, é difícil dizer se o chocolate que fica em cima das carolinas (sólido) é melhor do que aquele que está por baixo(líquido), pois ambos conduzem a um paraíso de sensação. É doce, mas é aquele chocolate doce perfeito em termos de equilíbrio que nunca enjoa e só da prazer. Essas carolinas são crocantes e maravilhosas, mas para coroar tudo elas estão recheadas de um sorvete de creme artesanal bem geladinho que faz uma mistura perfeita com a calda chocolate, sem falar do contraste maravilhoso entre gelado e morno.

Essa sobremesa é tão boa que vale a pena ir no Le Vin só para comer ela.

Então foi isso pessoal, no futuro farei uma resenha detalhada da casa, por hora avaliei apenas alguns pratos que comi em momentos distintos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sia - This Is Acting (2016)

Nos últimos dois anos a Sia colheu grande sucesso por conta de seus singles, em especial "Chandelier" que tocou incessantemente mundo a fora.

O seu novo disco é bem influenciado pelo sucesso daquela composição, trazendo uma música pop e eletrônica preparada sob medida para a fritação em boates, mas há um certo diferencial nesse disco que o torna melhor que a maioria dos discos gravados com esse fim.

A Sia é uma boa cantora, com um registro grave bem bonito e facilidade para os agudos, além de folego para sustentar longos melismas que não a fazem ficar devendo a nenhuma cantora pop da atualidade. Ela também é uma interprete capaz de injetar grandes doses de sentimentalismo e delicadeza nas suas canções.

O disco começa exatamente com músicas próprias para animar as baladas, a primeira com sua batida mais pesada traz um refrão até interessante, já a segunda, "Alive" (1º single), é uma canção cheia de erros como excessos de melismas que levam a música a se tornar torniturante e a péssima seleção de batidas.

Porém Sia mostra a que veio em faixas onde ela abandona em parte o som baladesco e injeta grandes doses de sensibilidade nas interpretações, essa faixas são: "One Million Bullets" (batida simples, mas o refrão é viciante), "Footprints" (Em alguns momentos remete ao pop tradicional e conta com excelentes ideias sonoras), "House On Fire" (canção mais completa do disco) e "Broken Glass".

Outras canções legais são variações dos temas baladescos como "Unstoppable" e "Move Your Body", mas infelizmente ela enche linguiça em canções desinteressantes e abaixo do que ela já produziu como "Cheap Thrills" (É uma canção bem "cheap" mesmo) e "Reaper", sem falar que "Sweet Desing" é um experimentalismo vagabundo, com péssima batida, Sia cantando como nunca antes (nunca cantou tão mal em uma canção) e um refrão totalmente deslocado do resto da música.

O disco fecha com a única balada de fato, a delicada e bonita "Space Between" que foi composta para matar a saudade dos fãs mais saudosistas. De modo geral esse é um bom disco, ainda mais quando comparamos com as porcarias que o pop atual produz, mas fica a sensação de que a Sia teria sido melhor sucedida se não tivesse se apegado tanto a sonoridade baladesca do seu hit mais famoso e investisse em um som mais intrincado na parte eletrônica, pois tudo aqui soa muito simples, mas parece muito melhor do que é devido as boas performances de Sia.

Nota: 7,0

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Encantado pela vespa

Encantado Pela Vespa

Olá belo efebo da cor da flor
Foste encantado por uma vespa?
Tão dura,débil,disforme e doente beleza
forte torpor venenoso de dor.

Porém vespas não podem polinizar sua flor
elas apenas ferroam calorosamente a provocar visões ensurdecedoras.
Matam as abelhas para poder se deliciar dos vermes,
mas o verme não reclama do arado que o parte,
ainda que seja em dois deixando a carcaça apodrecer lentamente
em sonhos febris e ardentes, murcha ilusão.

O rosto monstruoso em pelos flama
o olhar como quelíceras esbagaçam a beleza
Feroz olhar, dura feição, corpo de tijolo.
De camuflagem horrenda, no meio das flores
a devorar as borboletas, arrancando os olhos e as antenas
e por fim as asas.

Difícil simpatizar com essas pobres doces criaturas
que se deixam escravizar pela força para provar o
néctar vermelho amargo e humilhante.

A bela plumagem multicolor das aves
se desfazem em sabor na casa do caçador.
Em túnica plumosa ele desfila em cor
sob o aplauso das aves em livres gaiolas
Sob a pelugem facial colorida em arco-íris
Ele diz que é belo e assim foi.

Rubens Cantanhede Mota Neto

Comentários

Poesia com forte carga de simbolismo que é gerada através do forte uso da prosopopeia, composta com muita fúria e possuidora de uma imagética sombria e melancólica difere um pouco do que geralmente eu componho e foi composta em um momento de grande reflexão pessoal.

Essa poesia a exemplo da "Meu amor é um flor do deserto" possui como inspiração temática a natureza e o estudo da zoologia. A vespa a que me refiro é a vespa mandarina, a maior do mundo, conhecida pelos seus hábitos carnívoros, um grupo de poucas vespas podem dizimar um ninho com 30000 abelhas em algumas horas para roubar o mel delas, devorar suas larvas e as vezes comer as próprias abelhas no processo. Ela também é uma especie de vespa que não poliniza nenhuma flor.

Eu faço referência a outros animais também como aranhas, louva-deuses, borboletas e aves... Todos esse animais são na verdade símbolos que como numa peça de teatro executam um papel de um personagem da história. Porém posso dizer como pista que a vespa/aranha/louva-deus/caçador são o mesmo personagem predador ao passo que efebo/abelha/verme/borboleta/doces criaturas/aves são o mesmo personagem presa.

Essa multiplicidade de animais apenas foi utilizada para aumentar as possibilidades imagéticas, porque no fundo o que importa é entender a existência desses dois personagens. Essa poesia tem um sentido definido, mas nela eu me mantenho fiel ao meu credo poético em que o prosaico dentro da poesia deve se expressar sob uma grande camada imagética que é uma das principais características do que eu escrevo dentro da poesia e sempre foi algo que admirei nos meus idólos.

Apesar de ter um sentido definido, eu deixei algumas ambiguidades propositais em alguns versos da poesia para incentivar o raciocínio do leitor. O primeiro verso carrega muito dessa característica, mas apesar das ambiguidades esse trecho pode revelar facilmente o tema tratado na poesia. Percebam também como o tratamento da "presa" varia de verso para verso.

Posso dar mais pistas quando ao significado dessa poesia dizendo que se trata de uma crítica ácida a comunidade gay, logo se tratando de uma poesia de crítica social.  Essa é minha forma de fazer esse tipo de poesia, nunca vou escrever uma poesia narrativa com sentido claro e obvio, se for para fazer isso prefiro escrever um texto em prosa, didático e colocar no facebook.

Características da poesia simbolista como sinestesia, aliteração e toda aquela sensorialidade típica desse período podem ser vistas nessa poesia, meus versos são brancos e livres até porque não estamos em pleno século XXI presos as normas do classicismo do século XVIII*. Porém alguns versos por acaso rimam em algumas das minhas poesias.

Apesar do título e da importância do símbolo, não se prendam exclusivamente a figura da vespa, ela é um gatilho inicial muito importante para as reflexões que eu vou tendo ao longo da poesia, mas se prender a esse simbolo de forma superficial vai fazer vocês ficarem completamente perdidos.

Obs: Há uma citação de um dos provérbios do inferno do William Blake na segunda estrofe da poesia
* Nada contra quem busca metrificar e rimar os versos