segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Meus Albuns favoritos de 2018

1 - Janelle Monaé - Dirty Computer



2- Oceans Of Slumber - The Banished Heart


3- Kali Uchis - Isolation 


4- Kacey Musgraves - Golden Hour



5- Ghost - Prequelle


6 - Snail Mail - Lush



7- Judas Priest - Firepower



8- Behemoth - I Loved You At Your Darkness


9- Mitski - Be The Cowboy



10- Beach House - 7



Menções Honrosas

Eleanor Friedberger - Rebound
Lucy Dacus - Historian
Sunflower Bean - Twentytwo In Blue
First Aid Kit -  Ruins
Courtney Barnett - Tell Me How You Really Feel

Surpresa fora da Caixa

Ariana Grande - Sweetener

Revelação

Rosalia - El Mal Querer
Adoravel Clichê - O que Existe Dentro de Mim
Jorja Smith - Lost & Found

Total de álbuns de 2018 ouvidos: 43


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mas não pra mim...



Eu sinto um imenso vazio assistindo filmes, series e cenas pornográficas gays, eu não me vejo nelas, não me sinto nelas, não vejo meu corpo nelas, não sou representado nelas, não existo nelas. Queria ser filmado nessas cenas bonitas, queria que o meu corpo tivesse o encantamento conferido aos corpos padronizados em suas orgias em câmera lenta, Sense 8? Tá mais para Senso único.

Eu assisti a uma cena porno com um menino com quem tive uma longa conversa sobre padrões de beleza, conversa hoje assassinada pela defeitos do Whatsapp e do Instagram, fiquei encantado pelas suas palavras na época sobre como ele se sentia atraído por pessoas como eu. Ser desejado é poder me representar no campo do afeto, do desejo e no mundo mágico dos longos vídeos de beijo e amor gay na internet, finalmente uma existência.

Fazer sexo é me representar, é existir num contexto onde não pude me enxergar durante muito tempo, é dar visibilidade ao meu corpo invisível e usa-lo para provocar prazer alheio. Os únicos olhos com os quais vejo a produção gay, são os olhos do desejo, de querer estar naquele lugar, de poder me enxergar naquelas histórias, naquelas cenas. Não são jamais os olhos da representatividade, da aceitação e do se sentir-se amado.

Assistir a um filme porno é um misto entre o meu desejo e a sensação de rejeição que a falta de pessoas como eu na tela me causa. Foi assim que me senti ao ver o filme porno do menino com quem conversei, apreço pela pessoa doce e talentosa que ele é, mas uma dor infinita de não ser o outro.

Me senti assim ao sair com PMA, menino que desejava e mantinha conversas todas as noites, e que na primeira vez que tive oportunidade de ve-lo beijou outro menino na minha frente, um menino que era tudo que eu jamais serei. Ao reelembrar essa cena sinto como se eu não quisesse ser eu mesmo, me sinto mal a ponto de desejar não existir.

E na filmografia gay eu já não existo mesmo, a única forma de me representar é estando vivo e tendo meus relacionamentos, tirando isso hoje eu estou morto para qualquer mídia LGBT.