domingo, 25 de dezembro de 2016

Minha playlist do spotify 2016 (top 10)

Kelela - Gomenasai


Kelela é uma artista do R&B experimental ou alternativo, uma das mais interessantes diga-se de passagem. Seu disco em 2015, só foi ouvido por mim no fim do ano passado e por isso repercutiu muito em 2016. Brincando com as sonoridades do R&B para criar atmosferas intensas e delicadas ao mesmo tempo que invocam sensualidade, Gomenasai, também se vale de uma excelente performance de Kelela que canta como uma dominatrix, pontuando as notas ora com força ou com suavidade hipnótica.

Essa música é um exemplo do que de melhor os novos estilos de música negra estão gerando por ai. E pra mim era um música que transmitia uma energia sensualística muito agradável e está relacionada a algumas poesias que escrevi esse ano.

Lacuna Coil - My Demons


Eu adoro essa banda. mas o disco de 2014 tinha de fato ficado abaixo do lançamento que o antecedia, o excelente Dark Adrenaline  de 2012. A resposta? Um disco ainda mais pesado e violento. Sem medo de entrar de cabeça no metal industrial e de sujar seu som, o novo disco do Lacuna Coil é sombrio, escuro, violento e intenso, as emoções estão a flor da pele em cada canção, com Cristina Scabbia mostramdo porque é uma das maiores cantoras do gênero.

My Demons é uma demonstração perfeita disso, completamente desesperada, de rítmo frenético, com vocais guturais, interpretação marcante de Cristina, muita distorção e efeitos eletrônicos que nos transportam para um atmosfera de completa desolação, essa música marcou os momentos mais intensos de reflexão que tive esse ano.

Lacuna Coil surpreendeu esse ano, mostrando que ainda é uma banda relevante no cenário do metal.

Volbeat- The Gates Of Babylon


Volbeat é a banda mais hitmaker do metal, impossível não se viciar nas suas músicas, elas são divertidas, tem o peso necessário, excelentes solos de guitarra e o vocalista tem um timbre muito agradável. Eu adoro essa música, o refrão é muito chiclete e lembra música de viagem, com sua pegada meio fusion entre metal e country, marca registrada da banda dinamarquesa, o Volbeat me conquistou mais uma vez em 2016. É disco certo na minha seleção de melhores do ano.

Oceans Of Slumber - Sunlight


Oceans Of Slumber é a descoberta de 2016, uma banda de heavy metal sensacional, que renova mais uma vez minha fé no estilo, revitalizando o meu tão querido, bela e a fera. Sunlight é simplesmente linda, todo mundo que critica o heavy metal ignorantemente por esse ser um estilo de música pesada e por não ser bonito deveria ouvir essa canção.

A interpretação da vocalista é um fenômeno a parte, essa música talvez contenha a melhor performance individual que ouvi no ano. A atmosfera onírica e os riffs certeiros contribuem para manter a música no nível mais alto, mas a cereja da musica com certeza é o canto coralístico em alguns momentos da música, celestial para dizer o minimo.

Sia - One Million Bullets



Seu disco não foi nem de longe um dos melhores do ano, mas não posso negar que tinha umas perolas muito boas e One Million Bullets é uma dessas músicas. Sia é uma hitmaker de mão cheia, essa música tem todas as característica de uma arrasa quarteirões, boa vocalização, agudos potentes e agradáveis, emoção na medida certa, fugindo dos exageros de outras músicas do disco.

A Sia também explora vocais mais graves e delicados nessa música, então digamos que ela é uma das mais completas do ponto de vista vocal, em um disco que uma hora puxa mais sardinha para a potência vocal ou para a calmaria. A grande é questão é: porque essa música ainda não virou single?

Yuna - Poor Heart


Umas das maiores revelações do ano de 2012, já tinha lançado um disco antes daquela época, mas é agora em 2016, que Yuna se consagra como um nome de referência na música pop, seu disco Places To Go é incrivelmente bom.

Poor Heart tem uma aura trista, mas ao mesmo tempo onírica e de encantamento, passando uma vivência sofrida que é enfrentada pela cantora com um otimismo emocionante, e a Yuna reveste a música com uma voz doce e mágica, impossível não ficar apaixonado.

 The Beatles - Anna Go To Him 



Quem diz que Beatles é chato para aparecer tá pagando um grande micão e nunca ouviu o delicioso registro Please Please Me, uma joia da música pop, com canções maravilhosamente executadas e uma sonoridade deliciosa. Como não se encantar com essa interpretação despretensiosamente apaixonada do vocalista e esse tempero pop meio motown, com corais e refrão chiclete? Ouvi muito e espero continuar ouvindo canções assim durante muito tempo

Jessie Ware - Pieces


Em 2014, Jessie Ware, gravou um discaço e eu sou um dos maiores fãs daquele disco, tanto que no ano de 2016 prestei muitas homenagens ao disco e é a isso que se deve a indicação do Spotify, Pieces mostra toda a classe e elegância que a Jessie Ware é capaz de emprestar a uma música e tudo isso sem abrir mão de emoção realmente genuína.

O R&B alternativo da Jessie Ware tem uma pegada mais discreta e elegante, fugindo da loucura critativa de Fka Twigs, SZA e Kelela, mas tem muito valor pela qualidade das canções produzidas e pelo tempero pop muito bom, vale a conferida.

Paradise Lost - I am Nothing


Eu sou muito fã dos lançamentos recentes da banda americana de doom metal, e ouvi essa música acreditando que era um novo lançamento (culpa do Spotify), a verdade é que essa música era de uma epóca que o Paradise Lost estava flertando com o rock alternativo.

É verdade que o som é menos pesado e mais alternativo com detalhes eletrônicos, mas eu gosto bastante do registro limpo do Nick Holmes e o clima doom está em boa dose nessa música. Acho o refrão bastante agradável e pensando bem, o rock alternativo bem que podia ter uma banda como o Paradise Lost.

Sharon Van Etten - Nothing Will Change



Eu amo Are We There, que discaço. A canção com uma ponta de otimismo para desmoronar numa atmosfera melancólica e é coroada com a interpretação sofrida e contida de Sharon. Ter ouvido essa música pode significar que meu ano não foi tão feliz.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Profiteroles do Le Vin

Restaurante Le Vin

Profiteroles Com Calda Quente de Chocolate 

Prato que eu já comentei aqui no blog e que continua no topo do meu coração como uma das minhas sobremesas favoritas. Primeiro vamos falar dessa calda de chocolate belga, com doçura bem agradável e notas tostadas e escuras de chocolate com maior concentração de cacau, ele aparece na textura de calda e mais sólida em cima da carolina.

Carolina é essa massa da profiteroles que eles colocaram por cima e por baixo do sorvete de creme, ela é bem gostosa e lembra um biscoito, só é um pouco difícil de cortar. O sorvete de creme corta um pouco da doçura do excesso de chocolate (excesso que é intencional) e tem um sabor delicado que unta o paladar, harmonizando perfeitamente com o chocolate.

Esse prato proporciona uma experiência diferente a cada colherada, pois o sabor varia muito dependendo dos elementos que você pegou, o que torna a experiência bem prazerosa, pois você pode testar algumas combinações (mais creme, mais chocolate, só a carolina com o creme, só a carolina e a calda quente), o sorvete de creme deixa a calda com gosto mais de chocolate ao leite, clareando as notas escuras.

O prato é bem farto, são servidas 3 carolinas grandes, muita calda de chocolate e tem 3 bolas de sorvete de creme recheando as carolinas, para quem não tem muita fome é possível dividir a sobremesa, para uma pessoa satisfaz bem. Sobremesa de alta qualidade com produtos de primeira, vale a conferida.

Obs: Eles cobram 12% de taxa de serviço.

Critérios de avaliação:

Satisfatividade: O quanto a sobremesa enche o cliente
Não Enjoatividade: O quanto é possível comer tendo prazer.
Doçura: Intensidade do doce
Equilíbrio: Se os sabores se harmonizam bem
Qualidade: Avalia a execução, ingrediente e sabor
Apresentação: Questão estética
Custo-Beneficio: Se vale o que custa.


Preço: 19,80 R$
Satisfatividade: ***** 5/5
Não Enjoatividade: ****1/2 4,5/5
Doçura: ***** 5/5
Equilíbrio: ****1/2 4,5/5
Custo-Beneficio: ****1/2 4,5/5 
Apresentação: ***** 5/5
Qualidade: ***** 5/5

Ambiente: ***** 5/5
Atendimento ****1/2 4,5/5

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ideia de look


Basicamente o que se fez nesse look foi adicionar um cardigan azul a um look bem simples de trabalho que tem peças clássicas que todo mundo já viu: camisa branca, gravata vermelha e calça preta/grafitte. A harmonia das cores é muito boa, pois o azul dialoga muito bem com o vermelho da gravata e o branco e o preto fazem uma base solida.

Nesse post eu decidi brincar pegando os estilos que eu estou mostrando e criando looks semelhantes com minhas próprias ideias, mas sem perder a fidelidade aos exemplos. Eu vou criar os looks usando o limitado Polyvore, então nem sempre dá para reproduzir perfeitamente.



Camisa branca: Peça básica do look, pode ser qualquer uma, desde que seja 100% de algodão e tenha uma aparência razoavél.

Calça Preta: Eu escolhi um modelo que é chino, mas também é mais formal para combinar com a ideia de look de trabalho, escolha qualquer uma com bom caimento e feita de algodão de preferência com elastano.

Chelsea Boot: Foi uma ideia divertida minha, pois o look do Edward não mostra qual calçado ele está usando, de modo que ele deixou livre para nós imaginarmos. A Chelsea Boot é uma bota formal e esse modelo tem o charme da camurça, além de sua cor manter atenção para a parte de cima. Outras opções seria um bonito oxford cap toe preto.

Cardigan sem mangas roxo: Para a primeira opção, eu optei por um modelo sem mangas que na verdade deveria ser chamado de colete, a ideia é evocar aquela lembrança elegante de um homem sem blazer, mas que mantém o colete enraizada no imaginário popular. Esse roxo que está em um tom bem próximo do azul marinho combina com vários tons, Minha combinação favorita é com a gravata paisley, mas uma longa ou borboleta vermelha também combina super bem

Cardigan estampado: É incrível como uma peça com tantas estampas consegue ter uma harmonia tão interessante quando esse cardigan. Acrescentando bastante informação de moda por si só, eu acho que deve ser complementado por uma gravata lisa, como a borboleta vermelha que combinaria muito bem.

Gravata borboleta: Essa ideia não foi utilizada pelo Edward, mas super dá certo e traz um charme diferente que acho muito interessante. Esse modelo que traz uma mistura entre o crochê e a seda é genial e se encaixa muito bem na combinação com uma peça de tricô.

Gravata longa: Essa gravata lindissima poderia inclusive roubar o protagonismo do cardigan, mas não haveria problemas, pois a elegância estaria mantida. Eu percebo que com ela o look ia caminha para tons muito próximos do azul, uma boa ideia para adicionar mais variedade é quebrar o tom com acessórios com tons de marrom (relógios, cintos ou um sapato de camurça marrom)

domingo, 2 de outubro de 2016

Entrevista sobre Maria Callas (treinando a auto-entrevista)


Arthur: Antes de tudo eu queria que você me contasse mais sobre quem foi essa pessoa.

Rubens: Maria Callas foi uma soprano grega muito famosa no período pós-guerra, tendo seu auge na decada de 50 cantando com grande sucesso uma série de óperas italianas de autores como: Verdi, Donizetti, Rossini,  Bellini e até Puccini. Ela é considerado por muitos especialistas a melhor soprano da história e a cantora de referência em várias óperas.

Arthur: Quais foram as grandes contribuições de Maria Callas ao mundo da ópera?

Rubens: Ela trouxe inúmeras contribuições ao mundo da ópera, vou tentar enumerar algumas que me lembro agora. Ela popularizou as gravações de ópera que apesar de já existirem na época, o fascínio pelo seu canto aqueceu esse mercado fazendo com que cada vez mais óperas fossem gravadas e guardadas para a posteridade. Sua persona que encarna tudo aquilo que imaginamos em uma "Diva" atraiu muitas as pessoas para os teatros e ao mercado de ópera, fazendo com que esse gênero permanecesse muito popular em uma período de natural decadência do estilo devido ao surgimento de outros gêneros que tinham mais apelo com a juventude.

Maria Callas ressuscitou o repertório belcantista que estava esquecido ou mal interpretado pelas cantoras da época. Isso acontecia, pois aquele repertório era de grande dificuldade pelo alto nível de coloratura das personagens e também por exigirem que a soprano emprestasse uma grande carga dramática naqueles papéis. Os poucos papeis belcantistas que existiam eram cantados pelo que chamamos de "sopranos canarinhos" como a Lily Pons e Roberta Peters, que apesar de excelentes cantoras faziam interpretações muito superficiais e excessivamente "agudas" das personagens.


Obs: Essa ária é muito bem executada pela Lily Pons, especialmente a nível de coloratura, mas representa uma Rosina um tanto desalmada, apenas superficialmente apaixonada. O canto é um grande destaque, mas com a evolução do papel se exige mais dramaticamente da cantora e a voz da Lily é muito magra e aguda para o papel pensado para mezzosopranos originalmente


A interpretação da Maria Callas por outro lado, se preocupa especialmente com a entonação de cada frase de Rosina, animando elas com um paleta diversa de emoções que variam da euforia até a delicadeza apaixonada comum a personagem. Há ao mesmo tempo há um cuidado muito grande com a coloratura da personagem, muito bem executada por Maria Callas em 1954 no auge de suas capacidades.

Essa profundidade dramática que Maria Callas adiciona nas personagens proporcionou uma grande revolução na forma de cantar esses papeis e permitiu a ressurreição de óperas esquecidas como: Anna Bolena, La Sonambulla, Il Puritani, Lucia Di Lammermoor (raramente executada) e em especial a Norma.

Arthur: Grandes contribuições! E quais você acha que foram os papeis em que ela mais se destacou e o porquê?

Rubens: Maria Callas se destacou em uma grande porção de papéis, mas vou tentar me atentar a seus maiores sucessos.

Lucia de Lucia Di Lammermoor de Donizetti, ela tem 3 gravações oficiais do papel e cada uma se destaca pela leitura psicológica que Callas faz da cena da loucura, dando profundidade a insanidade vivida pela Lucia, um dos momentos mais mágicos do estilo. Minha gravação favorita é a de 1955 onde por ser ao vivo podemos ouvir a ovação que ela ganha após o fim da cena.

Floria Tosca de Tosca de Puccini, sendo que a gravação de 1953 sob a batuta de Victor de Sabata é uma das melhores da história da ópera. Destaque para o conflito entre Callas e Gobbi no segundo ato da ópera. A interpretação da ária Vissi D'Arte contida nessa gravação é uma das coisa mais lindas que pode ser escutada dentro da ópera.


Essa interpretação é um culto a arte e a toda beleza que dela pode provir. Basicamente nesse momento Floria Tosca destaca que ela por proporcionar tantas benções através da arte que é uma extensão da sua própria existência não deveria estar sofrendo o peso das tribulações que enfrenta no momento. Callas acrescenta em sua interpretação: melancolia, desespero e um encanto quase religioso. A pontuação das palavras é de revirar a alma, o legatto no momento clímax da ária é o mais tocante de todas as gravações da ópera

Norma é o papel pelo qual ela mais se destacou e acho que chega a dispensar comentários, ela não tem nenhuma rival no papel. Outros papeis de grande brilho são: Violetta (La Traviata), Gilda (Rigoletto), Gioconda (La Gioconda), Rosina (Il Barbiere Di Siviglia), Anna Bolena (Anna Bolena), Amina (La Sonnambula), Elvira (Il Puritani), Medea (Medea), Leonora (Il Trovatore), Lady Macbeth (Macbeth)....

Arthur: O que você tem a dizer sobre a rivalidade dela com a soprano italiana Renata Tebaldi.

Rubens: Essa rivalidade é uma grande bobagem e nasceu aqui no Brasil, sabia? Elas visitaram o Brasil em datas parecidas e o público daqui tentou colocar uma contra a outra criando essa rivalidade descabida.

O repertório delas é diferente também, Tebaldi é especialista no repertório pucciniano, Verdi lírico e verismo, enquanto o repertório da Callas era mais focado em óperas belcantista italianas que exigiam coloratura. Elas tinham alguns papeis em comum como Aida, La Traviata e Tosca, mas acho que isso seja muito pouco para compara-las.

Faz mais sentido rivalizar a Callas com a Sutherland do que com a Tebaldi.

Arthur: Você mencionou várias características que tornam a Maria Callas umas das cantoras mais singulares da história da ópera, teria algo a acrescentar?

Rubens: Mais coisas? (risos). Eu acho que existe algo mágico na forma de cantar da Maria Callas, pois ela em comparação com outras grandes sopranos não possui o melhor e mais doce timbre de voz e nem uma técnica perfeita como a das cantoras que vieram a sucede-la. Mas ela tem a alma na voz, um pahtos, uma energia incrível na hora de animar suas protagonistas que encanta muito o ouvinte, uma beleza singular jamais vista e igualada.

Arthur: Indique uma gravação a quem nunca a ouviu

Rubens: Sem sombra de dúvidas vou indicar a Tosca gravada em 1953 que tem completa no Spotify, também é legal começar pela La Traviata de 1958 cantada em Portugal na companhia de Alfredo Kraus. De coletânea de árias acho que uma boa indicação nesse universo de coletâneas da Callas é o Pure que contêm 18 músicas.

Arthur: Muito obrigado pela entrevista

Rubens: Foi um prazer.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Desejo social

Seu desejo me fez ser tímido.
Seu desejo me assustou.
Seu desejo me fez chorar no escuro do meu quarto.
Seu desejo me fez um adolescente solitário.

Seu desejo me fez odiar meu próprio corpo.
Seu desejo me torturou.
Seu desejo me fez ferir meu próprio corpo.
Seu desejo me disse que meu corpo era indigno de desejo.

Seu desejo me disse que eu deveria emagrecer.
Seu desejo me fez perder 26 kg em um ano.
Seu desejo não se saciou com isso.
Seu desejo me impede de comer com meus amigos.
Seu desejo me faz passar fome e ver algo positivo nisso.

Seu desejo me deixou vagar sozinho.
Seu desejo me fez chorar de dia.
Seu desejo me faz sentir que nada do que eu faço ou sou vale alguma coisa.
Seu desejo permite que pessoas se isolem completamente em festas por medo.

Seu desejo não me deixa ter controle do meu próprio corpo.
Seu desejo valoriza algo que eu sequer acho bonito.
Seu desejo quer transformar o meu corpo ®.
Seu desejo é um caminho de sacrifícios sem fim
alimentando o capitalismo mais parasitário.

Seu desejo vende pilulas.
Seu desejo vende cremes para embranquecer a pele.
Seu desejo corta a pele.
Seu desejo queima a pele.
Seu desejo rompe músculos.

Seu desejo empobrece o trabalhador.
Seu desejo enriquece o capital.
Seu desejo alimenta a industria farmacêutica.
Seu desejo está criando novos mercados predatórios.
Seu desejo é redistribuição de renda 
de quem tem menos para quem tem mais.

Seu desejo oculta o que é belo,
entorpece e confude os sentidos.
Seu desejo não sabe o que é beleza,
ele é sombra permanente em um jardim.

Seu desejo deixa as pessoas doentes.
Seu desejo faz as pessoas consumirem veneno.
Seu desejo escraviza o individuo em "fábricas de corpos".

Seu desejo é assassino
e se eu deixar ainda me mata em uma mesa de cirurgia.

Rubens Cantanhede Mota Neto

Comentários

Essa poesia nasce da minha aflição e dificuldade de produzir algo em prosa sobre o desejo de forma completa, na verdade eu já fiz uma tentativa anterior em um texto que se encontra no tumblr da Corpolitica, extensão ALGBTQI da qual faço parte.

Esse texto reúne vivências pessoais e críticas que eu tenho a industria do desejo que é fomentada diariamente por pessoas com as quais convivemos pela forma como elas expressam seu desejo de forma padronizada. As pessoas tem muito orgulho do que desejam, elas pensam que o gosto delas é realmente bom, então esse texto é uma bofetada na cara dessas pessoas, pois tudo que elas promovem com esse "gosto apurado" é destruição.

Há alguns detalhes que gosto que reparem, como perceber que o texto tem uma cronologia de sofrimentos e eles se intensificam e dialogam com os anteriores e que o estilo é bem prosaico, quase prosa poética.

domingo, 31 de julho de 2016

O motivo da minha pesquisa ser uma crítica a masculinidade hegemônica

Meu tema de pesquisa surgiu de discussões que fazemos nas militâncias interseccionais (LGBT, negra e feminista) criticando os padrões de beleza hegemônicos: brancos e másculos. Essas discussões floresciam até que alguém oposto ao tema debatido dizia: "Qual o problema de gostar de caras padrões?", "Não vejo o dano que isso pode causar nas pessoas".

Em resposta a esse desaforo, publiquei um texto explicando todos os danos que um padrão de beleza ligado a masculinidade poderia causar nas pessoas que estão excluídas nesse processo. Fiz uma crítica falando sobre como o combate a padrões está ligado a uma postura anticapitalista e progressista. Terminei meu texto falando que precisávamos de pluralidade de representações de beleza e falei da necessidade de desconstrução através de ações ativas das pessoas de buscarem essas representações contra-hegemônicas dentro do seu espectro de desejo.

No inicio do ano dei uma palestra na formação da Corpolitica explicando como o padrão hegemônico é construído e mantido pelo patriarcado e suas consequências na vida das pessoas. Critiquei fortemente a comunidade gay pelo fomento aos padrões hegemônicos e expliquei o quanto isso era destrutivo para os gays afeminados, que são pessoas que sofrem muito com esses padrões.

E agora esse será tema de uma pesquisa que farei pela coletiva Corpolitica. Tenho prazo de entrega até 2017, me desejem sorte!





terça-feira, 26 de julho de 2016

Cumarim Burger Grill


Uma das principais referências em hamburguerias nesse grande polo que é Águas Claras. O Cumarim é uma casa bem ajeitada, confortável e com uma beleza rústica interessante, porém frequentado por um público não muito simpático de Águas Claras e os garçons também são bem frios.

Quando eu fui estava tendo um cardápio promocional onde você pagava 16,90 por pratos promocionais de almoço, uma especie de mini almoço executivo que eles chamam de pocket menu com opções de proteína e até 3 acompanhamentos ou um hambúrguer. Eu optei pelo hambúrger e pelo que dava o melhor custo beneficio para mim, por isso fui de Chesse Frango que no cardápio original sai por 22,90.


Bem guarnecido pelas batatas frias, essa apresentação me lembrou muito do Marvin, rival direto do Cumarim. As batatas apesar de bem fritas e crocantes estavam sem sal e ai o molho entrou para ajudar, é uma mostarda que tem um gosto salgado acentuado, puxando para o herbal, mas com uma leve picância, eu gostei exceto pelo fato de ser picante.

O hambúrguer tem 100 g de carne de frango bem suave e delicado que destaca os outros ingredientes como o bacon de sabor bem rústico e o ovo. O barbecue e a maionese são molhos bem equilibrados que ajudam a suavizar os sabores do prato, o barbecue mais docinho me ajudou a me livrar da sensação incomôda do molho das batatas. O pão é de boa qualidade, nada diferente de outros estabelecimentos do mesmo ramo.


O Cumarim serve uma bola de sorvete de cortesia quando você encerra a conta, é um sorvete comum sem grandes atrativos, daqueles que você compra no supermercado, mas veio a calhar bem para encerrar o almoço descontraído daquele dia.

No mais achei o Cumarim uma boa casa, o problema é que ela possui forte concorrência e os preços fora do pocket menu não são tão atrativos quanto outras casas e food trucks.

Pontos positivos

- Cortesia no fim
- Confortável
- Pocket Menu

Pontos negativos

- Fancy ambient
- Demora um bocado
- Menu caro

Nota; ****
Recomendo, mas não voltaria, existem opções mais interessantes para o que busco atualmente.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Versos Não Inscritos

Versos Não Inscritos
Homenagem a todas as poesias pensadas e jamais escritas.

A ideia cintila como uma estrela cadente
a desaparecer no lençol celeste.
O astro luminescente se parte na alma
a pavimentar estradinhas de cristais

Como um pergaminho podre de Safo
que traz a intenção vermelha que ruboriza a mente,
Amor que nunca será lido, mas queimou como lava
até virar escuro rochedo

Versos vividos voando viajam vazios.
É a melodia lunar no eclipse sonoro.

Rubens Cantanhede Mota Neto

Bonûs

O Mar

Seguro a água nas mãos como gema de sáfira
Azul anilado áurea beleza
a evaporar em diamante de sal.
Aliso o cacho borbulhante das ondas.

Rubens Cantanhede Mota Neto

Comentários

Essas poesias foram escritas nas férias do inicio desse ano. A primeira para homenagear as boas ideias que tinha e que eu não conseguia registrar no papel, inclusive foi escrita de forma complicada, enquanto eu tentava registrar ideias dentro de um carro apertado e por pouco "versos não inscritos" não virou uma poesia esquecida. A segunda é um treino de técnica estimulado pela poesia byoriana que eu estava lendo naquelas férias.

Não há muito que explicar sobre, pois são obras onde exercito coisas que vocês já viram em outras poesias minhas como: aliterações e assonâncias, sinestesia, mudanças físicas e químicas, paradoxos, hipérbatos e o pleonasmo.

A grande curiosidade está na menção da poesia safista, acontece que boa parte da poesia de Safo se perdeu com o tempo sobrando em alguns casos apenas trechos repletos de energia sexual e desejo. Nessa poesia aproveitei para homenagear a grande poetisa pelas poesias dela que nós nunca chegamos a ver, mas que povoam o nosso imaginário.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

10 Looks do Adam Gallagher


Adam é uma das boas referências que temos no mundo do instagram e lookbook, reinos infestados de blogueiros de moda, "influenciadores", "entendidos de moda", "criadores de tendência" totalmente picaretas e sem nenhum talento sequer para combinar uma gravata com uma camisa. Outros são tão safados que contratam consultores de estilo e alugam roupas para tirar fotos fingindo que eles criaram aquele conteúdo e que aquele era o look do dia deles.

Ignorando toda essa polêmica os looks que o Adam Gallagher apresente no lookbook.nu são uma boa inspiração para admiradores de moda e aqui falarei de alguns looks dele que me agradaram. E se inspirar não significa roubar o look de uma pessoa, vocês vão perceber que apesar de gostar dos looks que ele apresenta, as vezes vai ter algo que eu faria diferente e isso ocorre porque não somos a mesma pessoa e temos ideias diferentes sobre a vida, como naturalmente deve ser. Porém ainda que eu discorde de uma coisa ou outra todos os looks aqui são de alta qualidade.

Vamos lá


Inteligente uso do "casual chic", a camisa com um tom leve e claro de azul conversa bem com o khaki escuro da calça (é um tom escuro de amarelo) e muito bem também com as cores da gravata (é bonito ver como a gravata traz o vermelho sutilmente para o look criando uma combinação de cores primárias). O relógio, o óculos e o cinto são acessórios elegantes que conversam muito bem e combinam. O loafer marinho não deixa de ser uma boa opção, mas eu optaria por um bonito brogue marrom claro, mais classudo, mantendo o look casual.


Vamos agora para um estilo totalmente casual e urbano. Existe um look que eu sempre ensino para quem não entende nada de moda que é um dos looks mais básicos da moda masculina: camisa branca, jeans claro e chuck taylor vermelho. É simples, bonito e mostra estilo com peças super comuns do armário de qualquer homem médio. O grande segredo é a combinação de cores claras criando uma estrutura harmônica.

Adam provavelmente sabe disso, mas aqui ele decidiu subverter a ordem com uma descolada jaqueta perfecto preta que curiosamente casou bem com a proposta, já que mantem a combinação bonita entre o azul claro e o vermelho vivo do all star. O chapéu é desnecessário e soa meio hipster, mas não estraga o look.



Adam é um cara muito inteligente, nesse look ele quebra uma das regras mais sagradas da combinação de jeans no século XXI, misturar jeans de mesmo tom, e sai totalmente impune. Um dos grandes motivos para isso é que ele quebra o monocromatismo do denim com uma jaqueta de couro classuda que traz um marrom característico da patina de envelhecimento do couro. O calçado funciona e o laranja cai bem no look, mas eu iria preferir um um sapato de camurça escuro envelhecido.

Esse look já me deu um monte de ideias e é uma das minhas maiores influências sobre como combinar peças. A ideia de criar um monotom para quebra-lo logo na sequência é bastante instigante e é uma quebra bem sutil ao mesmo tempo.


Ok, esquecendo o cachorrinho da foto, vamos analisar mais um look onde Adam invoca novamente um casual chic de alta qualidade. O blazer de abotoamento duplo traz realmente o marinho para o look, parece até a invocar o mar. O uso da calça off white é perfeito e traz o look para contexto de verão e o loafer tassel  é de muito bom gosto e dialoga perfeitamente com o blazer. 


Quem não gosta de ver um garoto lindo bem vestido? O Adam era realmente lindo quando jovem, hoje em dia não me impressiona muito, exceto pelos looks. Esse look é totalmente casual e tem ideias muito boas. O cardigan vermelho combina perfeitamente com a camisa xadrez que tem tons mais escuros de vermelho e azul. Vermelho e marrom (acessórios) também são boas combinações e a gravata borboleta deixa o look delicado e sofisticado.

O erro é essa bermuda horrível que eu trocaria por um blue jeans com um tom bem legal e um sapato casual bem bacana.


Adoro esse look! Outro que me influenciou bastante. Mais uma vez ele meio que descumpre as regras da combinação de jeans, mas não importa pois dessa vez ele explora a combinação de sucesso entre azul escuro, vinho e marrom. É praticamente impossível errar com essas cores, a jaqueta Levi's clássica já ganha o jogo de cara e faz com que ignoramos que o cardigan não é muito bonito e que a camisa madras poderia ter sido substituída por qualquer outra coisa, até uma camiseta lisa.

Jeans, suéter e um bom sapato de camurça é sucesso, umas das melhores criações do Adam Gallagher.


Casual Chic Realness! Essa foi a escolha de Gallagher para o NYSW, quem diria que um vinho pesado poderia combinar tão bem com um blazer listrado azul tão clarinho? Mas combina bem e a calça ainda dialoga com a bélissima gravata escolhida por Adam e com o sapato marrom claro que faz um bom par para a calça e o blazer. Eu ainda optaria por um brogue marrom claro.


Usar uma vez  e jogar fora? Nada disso, eu trouxe esse look exatamente para mostrar como um mestre reaproveita suas roupas em looks diferentes. Enquanto o primeiro tinha um pegada mais inverno, esse tem tudo haver com o verão e nos aponta a essa estação com peças clássicas como a gravata listrada e a calça social preta. Porém Adam traz casualidade a esse look através tanto do uso do Blazer quanto do sapato off-white de cadarço colorido (deve dar um trabalhão para lavar, socorro!).


Adam arrasou nos seus looks para a NYFW. A clutch é bélissima e de muito bom gosto, óculos bacana e vocês conseguem ver como Adam usa bem a peça mais básica da moda masculina: a camisa branca em mais de uma oportunidade. Eu adoro esse Blazer xadrez e como ele combina com a calça vinho, mas o sapato double monk strap rouba a cena totalmente, maravilhoso é pouco,


Espero que vocês não sejam alérgicos a cor, pois esse é um exemplo de como abusar de cores vivas e ainda assim sair de forma elegante. A calça vermelha bem forte contrasta bem com uma versão mais soft sua e como eu disse antes vermelho e marrom são um time de sucesso. Ficou muito fácil para o Adam.

domingo, 3 de julho de 2016

Erros e Acertos do Lookbook.nu



Esse look apesar de simples funciona bem e possui as cores do verão, faz a inteligente combinação do azul jeans com o khaki (dupla que sempre dá certo) e complementa com um belo sapato. Os óculos espelhados caem muito bem nesse look assim como a pulseira e foi inteligente a ideia de posar ao lado de uma parede laranja que contrasta com o azul da camisa jeans por serem cores complementares.

Minha única reclamação é que o bolsos dessa calça são muito esquisitos, de resto está tudo bem nesse look.


Nossa isso aqui é uma bagunça! A flanela saindo por de baixo da camiseta é horrível e evidencia que a camisa está longa demais assim como a calça (cabe duas pernas do sujeito em apenas um perna da calça). Para arrematar a breguice ele evidencia uma meia com horríveis polka dots que não combinam com nada e destroem a elegância do bonito loafer que ele está calçando.

Tropical Garbage
O título já entrega o que o look é, um lixo total. Não é porque você colocou uma camisa floral abominável que seu look vira de verão. É um total black com uma camisa espalhafatosa que não combina em nada com a proposta e as peças ainda são da qualidade mais ridícula possível: Jaqueta de poliuretano mal feita, calça jeans escura rasgada exageradamente e óculos que parecem de plástico. A bota é a única coisa que salva o look de ser um fracasso total.



Não há nada de errado, mas é excessivamente simples, aqui nem uma combinação de cores mais técnica é explorada. A calça é legal e o brogue azul marinho também e eles combinam, mas com certeza não é algo de saltar os olhos.



Esse tipo de foto você coloca no Instagram e não em um site de looks, pois não há nada de interessante nesse look que seja digno de nota. Não tem informação de moda, você pode sair assim para comprar pão e refrigerante.


Quase fugindo do campo da moda masculina, uma das principais falhas desse look é o cós extremamente alto dessa calça que quebra a proporção do look fazendo com que ele fique simplesmente patético. Tão elegante quanto desfilar com o cobertor da sua casa achando que está sendo uma diva.


Ideia simples e inteligente para um look de verão. A Camiseta com listras horizontais traz o vermelho que dialoga muito bem com o tom camelo do calçado (é um tom escuro de amarelo). A paisagem da foto traz o azul do muro que faz com que a tríade (azul, vermelho, amarelo) estejam presentes na foto demonstrando bom gosto do fotografo. A bermuda de sarja chino cor gelo é outra boa sacada dele, cor elegante e que se destaca bem no verão.


A roupa que você usou para dar uma caminhada não devia estar nesse site, simplesmente porque não há nada de especial nela. A bermuda dobrada é totalmente desnecessária.


Apesar de gatíssimo, nosso amigo do Vietnã errou feio na escolha do look. O que fode de verdade esse look é a bermuda horrenda, mas também a um excesso de informação: patches, logos e listras (muitas listras, elas estão: na jaqueta (colarinho, mangas e parte inferior), na bermuda e até na meia). Peças lisas (camisa preta, jaqueta azul) e uma bermuda chino khaki decente faria o look ser bem bacana, mas a tentativa de soar cool e descolado fodeu o look todo.


Básico, sem nada a destacar de muito especial, a cor da camisa dialoga bem com o tom escuro do jeans e o sneaker da vans complementa bem tudo. A jaqueta não tem nada haver ainda bem que ele tirou e para que mostrar a meia branca?


Que preguiça desse look! Um tom vivo de amarelo deve combinar com um tom igualmente vivo de azul, caso contrário fica essa mistura esquisita. O boné é horrível e totalmente deslocado, isso para não mencionar o horror supremo que representa essa camisa camuflagem, uma peça que jamais devia ter visto a luz do dia.


Essa calça brega e totalmente desproporcional destruiu toda a harmonia do look, uma pena porque uma calça chino da mesma cor faria um bom par para a camisa polo.


Aqui temos o básico que funciona ou quase funciona, pois o tamanho da camisa tá quase passando. Boa jaqueta biker e linda bota, a combinação de cores é básica e o kimono podia ser jogado fora sem prejuízos.


Sabe? Existe um site muito bom para compartilhar suas fotos bacanas com o público, se chama Instagram, lá você pode postar inclusive fotos que não possuem nenhuma informação de moda como é o caso desta.


Temos aqui um chapéu totalmente deslocado de todo o look, uma camisa legal que é grande demais para o rapaz da foto, um tênis medonho e uma camiseta, calça e óculos bem básicos. E isso é tudo pessoal.


Puta merda, Lookbook não é Instagram, qual o problema dessas pessoas? Ninguém liga para onde você viajou, o que eu quero é ver bons looks. É pedir muito em uma porra de site de looks?


Esse aqui é brasileiro e montou um look terrível. Essa tendência de mendigato deveria ser abolida da terra, camisa excessivamente longa, cós alto demais, calça que precisa urgentemente ser jogada fora e botas sem graça. Canastrice nível master


Sabe o que eu amo?  Looks onde não há uma camiseta branca imensa aparecendo por baixo de outra e bermudas com o comprimento correto.


Básico, mas há um inteligente combinação entre o marinho da jaqueta com o azul da calça além do contraste com a bota muito bem explorado. Acho que ele tem que tomar cuidado com a proporção das roupas porque no caso da calça tá quase passando.


Porque as pessoas odeiam tanto a proporção? Essa calça imensa faz eu pensar que o menino sofre trombose e o tecido desse trench coat parece aqueles saquinhos que você usa para se cobrir na chuva.

Até a próxima.

domingo, 29 de maio de 2016

O que é amor livre pra mim


Introdução

Para começar vamos definir o que seria a palavra "amor". Acredito que a palavra faça menção a um sentimento de profundo afeto e carinho por um individuo, existindo uma vontade de estar perto daquela pessoa, de auxilia-la com suas dificuldades... Amor não está necessariamente ligado a romance/sexo, ele também existe sob a forma de amizade e vínculos familiares (pai, mãe, irmãos...). Nesse texto nós falaremos do amor que se liga ao romance/desejo.

A palavra "livre" vem da ideia ocidental de liberdade e de suas consequências: livre-expressão, ser dono de si próprio, propriedade privada... Muitas vezes esse termo é usado para definir casais não-monogâmicos que tem a liberdade de ficar com quem quiserem.

Existe uma série de polêmicas em relação a isso, pois muitas pessoas desenvolvem relações tão abusivas quanto qualquer monogamia heteronormativa dentro desse amor livre, isso sem falar dos casos em que esse termo é jogado como desculpa para não se ter relacionamentos exclusivos com pessoas negras, gordas, trans e fora do padrão em geral. As vezes as pessoas que estão nesse tipo de relacionamentos não se sentem boas o suficiente para satisfazer o parceiro e imaginam que com outra pessoa mais padrão, o companheiro conseguiria ter um relacionamento fechado.

Sem querer me alongar nas polêmicas do conceito tradicional de amor livre, eu queria propor um questionamento, não há muito foco na palavra "livre"? Sempre que vamos definir esse conceito as explicações vão para o rumo da liberdade e acabam esquecendo o amor, ou retomam o "amor" apenas no fim da explicação. E isso vale inclusive para entusiastas desse pensamento.

Nesse post me proponho a discutir amor livre focando no "amor" em si e menos na questão da liberdade que é repetida de forma extensiva nas discussões que li.

Texto em si

Amor livre na minha definição é o amor que se move e que não é preso a uma única coisa, ele é livre por ser capaz de amar diferentes pessoas, guarda-las na memória afetiva e assim partir para a descoberta de novos amores, podendo quem sabe voltar. É ver cada pessoa com quem se relaciona como especial e única, aproveitar o tempo com ela como se fosse uma bela viagem, com respeito e cuidado para com as particularidades de cada individuo.

Com essa definição eu abro o conceito para pessoas solteiras que não tendo vínculos seriam as que tem maior facilidade de praticar esse amor livre. Dentro de um relacionamento amoroso, entendo que o amor livre seria o compartilhamento desse amor com outras pessoas mesmo que por um curto tempo, e defino assim como uma crítica a muitos casais amor-livre que usam isso para terem relações escrotas e impessoais com pessoas de fora do relacionamento principal.

Como alguém que namora e tem uma relação bem carinhosa e afetiva com meu namorado, e imaginando que esse seja o caso de alguns relacionamento "livres", a minha questão é: é justo dar menos a outras pessoas? É justo tratar o outro como válvula de escape do relacionamento principal de forma objetificante, sendo apenas frio, impessoal e sexual com o outro, que também é um ser humano cheio de sentimentos? O amor livre é só para trepar e gozar em outro individuo? Aonde está o amor?

Conheço várias pessoas incríveis que seriam maravilhosas para se relacionar e sempre me pergunto se seria justo uma pessoa sair do seu confortavél relacionamento para dar a elas bem menos do que merecem. Se você se dispõe ao amor livre por qual motivo não tratar aquela situação como algo especial que mesmo que momentâneo tenha algum significado, uma relação que ainda que seja por uma única noite seja marcada pelo afeto, cuidado, prazer... Depois da despedida você ainda pode ser amigo dessa pessoa e conversar amigavelmente quando se verem.

Nesse mundo as pessoas sofrem tanto por causa de inseguranças com seus corpos devido a um padrão homogenizante que é sempre bom chegar em uma pessoa e abrir seus olhos para o quão especial ela é. Vejo tantas pessoas lindas que não sabem disso, pois cresceram vendo e ouvindo que apenas o macho branco musculoso e barbudo é o detentor monopolista da beleza. Nós podemos desconstruir isso nas nossas relações ocasionais através do afeto.

Para mim é disso que se trata amor-livre, no fim das contas deve ser amor, um amor diferente do monogâmico tradicional que precisa possuir para amar. Um amor que ama a liberdade e as pessoas que encontramos na nossa jornada entre as curtidas do tinder e outros aplicativos de encontro e relacionamento.

O amor livre deve ser pensado apartir dos conceitos que levantei: cuidado, afeto, carinho, amizade, tanto em relação ao parceiro do relacionamento principal (no caso dos casais) quanto em relação as pessoas de fora. O amor livre também pode ser praticado por pessoas solteiras e seria incrível que fosse, haveria bem menos casos de escrotidão e menos sofrimento.