sábado, 25 de fevereiro de 2017

Um menino

A sombra soturna suga silenciosamente a seiva,
parasitando, ferroando, rasgando a carne.
A crosta coça a virar inúmeras feridas, 
a obsessão em colecionar pustulas
cultivando-as como narciso reverso.

A terra sangra em preto apodrecido
dor excruciante no silêncio absoulto.
a língua se delicia num banquete de cacos de vidro.

Floresta de veias congeladas
do nectar de suas flores só se alimenam moscas
suas folhas são abrigo para os vermes, 
seus galhos são bordeis de louva-deuses.

Tanta cor que tinhas
para ser visto por olhos murchos.
Cor cuja cobiça coçou a se esvair em pó.

Data da morte: 25/02/17, 26/02/17, 27/02/17...

Comentários

Eu estava cansado de produzir poesias cuja o significado fosse mais facil de absorver, eu escolhi o simbolismo como escola, pois ela me dá ferramentas para expressar minhas sensações das formas mais viscerais. Pretendo voltar a escrever assim, fugindo do prosaismo da poesias anterior, "Desejo Social", que apesar de me agradar pelo incomodo que eu gero através da repretição e sucessão de acontecimentos, não deve se o estilo que eu vou trilhar.

Vamos falar da poesia, me animou bastante poder voltar com as aliterações e a construção de quadros imagéticos. Essa poesia foi feita para incomodar mesmo e expor mazelas sociais, através de imagens escatólogicas eu exponho metaforicamente um mal que se assola com o personagem.

A inspiração para o terceiro, quarto e quinto verso da poesia é uma doença chamada dermatilomania. Os  versos seguintes trazem imagens pertubadoras extraidas de filmes de terror simbolistas e videos estranhos do youtube, mas que tem um objetivo semântico ao se aprofundar nas mazelas vividas pelo protagonista.

É importante saber que durante o sexo os louva-deuses tem o costume de praticar canibalismo.

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