Espelho
Retina, reflexo de luz onírica
sempre tão azul e gelada.
Arrepio assimétrico percorre a veia torta
Querido, você não é invisível
é ultravioleta, infravermelho
radiante a obscurer a imagem.
Uma luz no eclipse de corpos rochosos
corpos orquídeos midiáticos
à assombrar luminosamente o cinema e os sonhos
Você é o etéreo que abraça
as almas em trevas,
luminescência sideral em neon roxo,
Espelho daltônico, vigorexico.
Reverte, distorce, amassa,
reflexo odioso e cruel.
Disfórico.
Rubens Cantanhede Mota Neto
Comentários
"Espelho" é uma poesia crítica, eu queria brincar com a ideia de reflexão, imagem, representação e auto percepção ligadas a aparência. A construção da poesia segue o meu estilo mais simbolista e menos prosaico, então ao invés de contar uma história, eu vou trabalhando a imagética textual. Essa poesia tem várias características que eu adoro: metáfora, antítese, sinestesia, aliteração, assonância, analogias, remissão a temas biológicos...
O tema central é o que o espelho reflete e o que ele não consegue refletir, ou seja, os vazios da representação.
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