Versos Não Inscritos
Homenagem a todas as poesias pensadas e jamais escritas.
A ideia cintila como uma estrela cadente
a desaparecer no lençol celeste.
O astro luminescente se parte na alma
a pavimentar estradinhas de cristais
Como um pergaminho podre de Safo
que traz a intenção vermelha que ruboriza a mente,
Amor que nunca será lido, mas queimou como lava
até virar escuro rochedo
Versos vividos voando viajam vazios.
É a melodia lunar no eclipse sonoro.
Rubens Cantanhede Mota Neto
Bonûs
O Mar
Seguro a água nas mãos como gema de sáfira
Azul anilado áurea beleza
a evaporar em diamante de sal.
Aliso o cacho borbulhante das ondas.
Rubens Cantanhede Mota Neto
Comentários
Essas poesias foram escritas nas férias do inicio desse ano. A primeira para homenagear as boas ideias que tinha e que eu não conseguia registrar no papel, inclusive foi escrita de forma complicada, enquanto eu tentava registrar ideias dentro de um carro apertado e por pouco "versos não inscritos" não virou uma poesia esquecida. A segunda é um treino de técnica estimulado pela poesia byoriana que eu estava lendo naquelas férias.
Não há muito que explicar sobre, pois são obras onde exercito coisas que vocês já viram em outras poesias minhas como: aliterações e assonâncias, sinestesia, mudanças físicas e químicas, paradoxos, hipérbatos e o pleonasmo.
A grande curiosidade está na menção da poesia safista, acontece que boa parte da poesia de Safo se perdeu com o tempo sobrando em alguns casos apenas trechos repletos de energia sexual e desejo. Nessa poesia aproveitei para homenagear a grande poetisa pelas poesias dela que nós nunca chegamos a ver, mas que povoam o nosso imaginário.

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