Rimbaud é o que eu chamo de poeta andarilho, ele tem uma
ligação muito forte com a natureza e com o ato de viajar e caminhar fazendo
diversas reflexões sobre as coisas em volta. Essa poesia é fruto de uma dessas
andanças de Rimbaud e era tão querida por ele que a enviou junto com outras 3
poesias para a editora do Le Parnasse
Contemporain junto com um das cartas mais fofas já escritas por algum
autor. Era o sonho do jovem Rimbaud ser publicado na mesma revista em que ele lia
as poesias de seus grandes ídolos.
Nessa poesia há uma relação bem sensorial com a natureza
que já pode ser sentida na primeira estrofe quando ele fala da sensação de
andar descalço sob a erva miúda que ao mesmo tempo produz uma leve picada e um
frescor gelado aos pés do poeta, assim como sentir o vento nos cabelos e no
rosto que estão descobertos.
Esse último verso da primeira estrofe segundo o tradutor
Ivo Barroso é bem importante para entendemos um costume da época, pois andar sem chapéu era algo não usual no inverno devido ao
frio. A tradução coloca que a cena ocorre de tarde, mas uma tradução mais prosaica pode referir que a cena ocorre anoite
Eu gosto do tom intimista ao mesmo tempo delicado da
segunda estrofe onde Rimbaud alega que vai andar sem pensar em nada apenas
carregando imenso amor no peito. E que amor seria esse? Seria o amor pela
poesia e por consequência por toda a arte? Essa é minha hipótese favorita, pois
revela uma faceta esteticista em Rimbaud.
Aúdio da poesia
Tradução por Ivo Barroso
http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/167

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