sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Arthur Rimbaud - Sensação


Rimbaud é o que eu chamo de poeta andarilho, ele tem uma ligação muito forte com a natureza e com o ato de viajar e caminhar fazendo diversas reflexões sobre as coisas em volta. Essa poesia é fruto de uma dessas andanças de Rimbaud e era tão querida por ele que a enviou junto com outras 3 poesias para a editora do Le Parnasse Contemporain junto com um das cartas mais fofas já escritas por algum autor. Era o sonho do jovem Rimbaud ser publicado na mesma revista em que ele lia as poesias de seus grandes ídolos.

Nessa poesia há uma relação bem sensorial com a natureza que já pode ser sentida na primeira estrofe quando ele fala da sensação de andar descalço sob a erva miúda que ao mesmo tempo produz uma leve picada e um frescor gelado aos pés do poeta, assim como sentir o vento nos cabelos e no rosto que estão descobertos.

Esse último verso da primeira estrofe segundo o tradutor Ivo Barroso é bem importante para entendemos um costume da época, pois andar sem chapéu era algo não usual no inverno devido ao frio. A tradução coloca que a cena ocorre de tarde, mas uma tradução mais prosaica pode referir que a cena ocorre anoite

Eu gosto do tom intimista ao mesmo tempo delicado da segunda estrofe onde Rimbaud alega que vai andar sem pensar em nada apenas carregando imenso amor no peito. E que amor seria esse? Seria o amor pela poesia e por consequência por toda a arte? Essa é minha hipótese favorita, pois revela uma faceta esteticista em Rimbaud.

Os versos finais ajudam a reforçar a minha tese, pois ele através dessa caminhada regado do amor pela poesia andaria como um boêmio, uma pessoa que se excede na apreciação dos prazeres da vida, indo para algum lugar, longe e desconhecido e tal sensação é tão boa como se ele estivesse enamorado de alguma garota.

Aúdio da poesia


Tradução por Ivo Barroso

http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/167

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